Intercorrências em cirurgias oftalmológicas: quais são as mais comuns e como se proteger
As cirurgias oftalmológicas evoluíram muito nas últimas décadas. Novas tecnologias, técnicas menos invasivas, equipamentos mais precisos e protocolos de segurança permitem tratar diferentes alterações da visão com cada vez mais eficiência.
Ainda assim, como acontece em qualquer procedimento cirúrgico, existem situações que podem surgir durante ou após a operação e exigir acompanhamento, exames, medicamentos, novos procedimentos ou até uma nova cirurgia.
Conhecer as intercorrências em cirurgias oftalmológicas não significa criar medo em quem precisa operar. Pelo contrário: informação, planejamento e acompanhamento adequado ajudam o paciente a viver essa jornada com muito mais tranquilidade.
Também é importante lembrar que uma intercorrência não significa necessariamente que houve erro médico. O organismo responde de maneira individual aos procedimentos, e algumas complicações podem ocorrer mesmo quando todas as medidas de segurança foram adotadas.
Neste artigo, vamos conhecer seis importantes tipos de cirurgias oftalmológicas, suas principais características e algumas das intercorrências que podem surgir durante a recuperação.
- CIRURGIA DE CATARATA
A catarata acontece quando o cristalino, lente natural localizada dentro do olho, perde gradualmente sua transparência. A visão pode ficar embaçada, com menor contraste, alteração na percepção das cores e maior dificuldade para enxergar principalmente à noite.
Na cirurgia, o cristalino opacificado é removido e normalmente substituído por uma lente intraocular. Atualmente, é um procedimento bastante realizado e geralmente apresenta boa recuperação.
Mesmo assim, algumas situações podem exigir cuidados adicionais.
Entre as principais intercorrências e complicações relacionadas à cirurgia de catarata estão:
- edema de córnea;
- edema macular cistoide;
- ruptura da cápsula posterior;
- deslocamento ou luxação da lente intraocular;
- inflamação ocular;
- aumento da pressão intraocular;
- hemorragias;
- descolamento de retina;
- opacificação da cápsula posterior;
- infecção intraocular, embora seja uma complicação rara.
A opacificação da cápsula posterior é uma das complicações tardias mais frequentes depois da cirurgia de catarata e pode causar nova redução da visão. Em determinados casos, é tratada posteriormente com laser.
- CIRURGIA E PROCEDIMENTOS PARA CERATOCONE
O ceratocone provoca afinamento e deformação progressiva da córnea, que passa a adquirir um formato mais irregular. Essa alteração pode causar astigmatismo, visão distorcida e redução importante da qualidade visual.
Nem todo paciente com ceratocone precisa ser operado. Dependendo do estágio da doença, podem ser utilizados óculos ou lentes de contato. Nos casos que necessitam de intervenção, existem diferentes alternativas, como crosslinking corneano, implante de anéis intracorneanos e, em situações avançadas, transplante de córnea.
No crosslinking, por exemplo, o objetivo é aumentar a estabilidade biomecânica da córnea e reduzir a progressão da doença.
Entre as intercorrências que podem aparecer após procedimentos para ceratocone estão:
- edema da córnea;
- opacidade ou haze corneano;
- inflamação;
- infiltrados corneanos;
- cicatrização irregular;
- alteração temporária da visão;
- infecção da córnea;
- lesões ou cicatrizes corneanas;
- falha na estabilização da progressão do ceratocone.
O haze corneano é uma ocorrência conhecida após o crosslinking e, em muitos pacientes, apresenta evolução transitória. Infecções também podem ocorrer, embora sejam menos frequentes.
Como existem diferentes técnicas para tratar o ceratocone, os riscos e cuidados variam conforme o procedimento realizado.
- CIRURGIA DE DESCOLAMENTO DE RETINA
O descolamento de retina ocorre quando a retina se separa de sua posição normal. É uma condição que pode comprometer seriamente a visão e, em muitos casos, exige tratamento rápido.
A técnica utilizada depende das características do descolamento. Entre as opções estão a retinopexia pneumática, a cirurgia com faixa ou introflexão escleral e a vitrectomia.
Depois da cirurgia, o acompanhamento é fundamental porque a recuperação pode variar significativamente entre os pacientes.
Entre as principais intercorrências estão:
- novo descolamento ou recidiva;
- formação de membranas e proliferação vitreorretiniana;
- aumento da pressão intraocular;
- inflamação;
- hemorragias;
- alterações da córnea;
- formação ou progressão de catarata após determinadas técnicas;
- necessidade de nova intervenção cirúrgica.
A proliferação vitreorretiniana (PVR) é uma das principais causas de falha após o reparo de um descolamento de retina. Ela está relacionada à formação de tecido que pode tracionar novamente a retina e provocar um novo descolamento.
Por esse motivo, seguir corretamente as orientações e retornar às consultas de acompanhamento é parte essencial da recuperação.
- CIRURGIA DE GLAUCOMA
O glaucoma é um grupo de doenças capaz de provocar danos progressivos ao nervo óptico. Em muitos pacientes, o controle é realizado com colírios ou procedimentos a laser. Quando essas alternativas não conseguem controlar adequadamente a pressão intraocular, uma cirurgia pode ser indicada.
Existem diferentes técnicas, desde procedimentos filtrantes tradicionais, como a trabeculectomia, até implantes de dispositivos de drenagem e técnicas minimamente invasivas.
Como são procedimentos diferentes, cada cirurgia possui perfil próprio de possíveis intercorrências.
Entre as mais importantes estão:
- pressão intraocular muito baixa, conhecida como hipotonia;
- aumento da pressão ocular;
- sangramento ou hifema;
- câmara anterior rasa;
- derrame ou descolamento de coroide;
- vazamento na região operada;
- inflamação persistente;
- falha do mecanismo de drenagem;
- cicatrização excessiva;
- alterações da córnea;
- infecção;
- necessidade de nova intervenção.
Após a trabeculectomia, por exemplo, alterações da pressão intraocular estão entre as situações que mais exigem atenção no período inicial. Vazamentos, derrame de coroide e problemas relacionados à cicatrização também podem ocorrer.
O acompanhamento pós-operatório permite ao oftalmologista identificar alterações precocemente e definir a conduta adequada.
- CIRURGIA REFRATIVA
As cirurgias refrativas são realizadas para corrigir alterações como miopia, hipermetropia e astigmatismo, reduzindo a dependência de óculos ou lentes de contato.
LASIK, PRK e SMILE estão entre as técnicas utilizadas atualmente. A indicação depende de fatores como grau, espessura e formato da córnea, idade e características individuais do paciente.
Entre as alterações mais conhecidas após uma cirurgia refrativa estão:
- ressecamento ocular;
- sensação de corpo estranho;
- halos ao redor das luzes;
- maior sensibilidade à luz;
- glare ou ofuscamento;
- alteração da visão noturna;
- correção abaixo ou acima do esperado;
- regressão parcial do grau;
- inflamação;
- haze corneano em determinadas técnicas;
- alterações relacionadas ao flap no LASIK;
- ectasia corneana, uma complicação menos frequente.
O olho seco está entre os efeitos pós-operatórios mais relatados depois do LASIK, especialmente durante os primeiros meses. Alterações como halos e ofuscamento também podem surgir durante a adaptação visual.
Uma avaliação pré-operatória cuidadosa é particularmente importante nesse tipo de cirurgia, pois permite verificar as características da córnea e identificar fatores que podem aumentar determinados riscos.
- CIRURGIA DE ESTRABISMO
O estrabismo é caracterizado pelo desalinhamento dos olhos. Quando tratamentos conservadores não proporcionam o resultado necessário, a cirurgia pode ser indicada para modificar a ação dos músculos responsáveis pelos movimentos oculares.
Durante o procedimento, um ou mais músculos podem ser reposicionados para melhorar o alinhamento dos olhos.
Entre as intercorrências e complicações relacionadas à cirurgia de estrabismo estão:
- desvio residual;
- correção insuficiente;
- correção excessiva ou inversão do desvio;
- visão dupla;
- formação de granuloma ou cisto conjuntival;
- inflamação da conjuntiva;
- cicatrização anormal;
- músculo escorregado;
- perda da fixação de um músculo;
- perfuração escleral;
- infecção.
Alterações residuais de alinhamento, seja por correção insuficiente ou excessiva, estão entre os eventos pós-operatórios mais conhecidos. Complicações como músculo perdido ou infecção são muito menos frequentes, mas podem exigir intervenção rápida.
Em alguns casos, um novo procedimento pode ser necessário para ajustar o alinhamento.
CIRURGIA SEGURA
O Cirurgia Segura oferece proteção financeira de até R$ 200.000,00 para despesas médico-hospitalares decorrentes de intercorrências cirúrgicas, podendo contemplar pagamento ou reembolso de custos necessários ao atendimento, recuperação e restabelecimento do paciente.
Conhecer as possíveis intercorrências em cirurgias oftalmológicas ajuda o paciente a se preparar melhor e a conversar com seu médico com mais clareza. E contar com proteção financeira traz mais previsibilidade e tranquilidade caso surjam despesas inesperadas durante essa jornada.
Vai realizar uma cirurgia oftalmológica? Converse com seu médico sobre a proteção do Cirurgia Segura.
Saiba mais em: https://cirurgiasegura.com/protecao-financeira-para-cirurgias-oftalmologicas/ e https://cirurgiasegura.com/principais-cirurgias-oftalmologicas-seus-riscos/
Proteja-se com Cirurgia Segura.
Acesse: cirurgiasegura.com
Central 24 horas: 0800 61 3333
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação médica.